IMPORTANTE

Não serão publicados posts e/ou comentários que incitem formas de discriminação ou de violência. Além disso, os textos assinados são de exclusiva responsabilidade do seu autor, não refletindo, necessariamente, a opinião dos demais alunos e da professora. Por essa razão, nenhum texto poderá ser assinado por meio de pseudônimo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Nosso blog ;)

Sejam todos bem-vindos a um novo ano letivo!

Novos alunos e leitores estarão conosco, neste espaço, compartilhando suas ideias e ideais... :)
Aproveitem para "explorar" o blog, lendo as postagens, acessando os links sugeridos, tornando-se membros/seguidores, curtindo nossa página no Facebook, enfim, familiarizando-se com este espaço que já é seu também!
A intenção é que vocês aprofundem os processos reflexivos iniciados durante as aulas de Português, sobre os temas Sustentabilidade, Arte e cultura, e produzam seus próprios textos para serem postados aqui.
Sugiro que leiam a primeira postagem (Sustentem essa iniciativa), publicada há 4 anos, na qual apresentamos os ideais deste NOSSO blog.

Que sigamos acreditando, atuando, produzindo e compartilhando conhecimento! 


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Cultura islã, terrorismo e mais preconceito

Este post discute um outro malefício advindo de mais um lamentável ataque terrorista, que é fomento ao preconceito contra os muçulmanos de forma generalizada. Urge a reflexão!
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Muito se fala sobre o ataque na França que deixou 129 mortos e cerca de 350 feridos. O que pouco se fala e deveria ser dito é sobre as consequências disso para a comunidade muçulmana na França e em outras partes do mundo. Em tempos de tensão com os ataques terroristas que envolvem a religião islâmica, toda a atenção recai sobre os muçulmanos. Tudo isso eleva ainda mais o temor de uma onda de “islamofobia” e perseguição.
A comunidade muçulmana condena veementemente os ataques e diz que os que praticam atos terroristas não representam o Islã, nem os muçulmanos. Para quem não sabe, o próprio nome Islã vem da palavra salam, que significa paz. A religião islâmica prega a questão da paz, da tolerância, do respeito, de respeitar o direito do outro, ter consideração pelo outro, colocar-se no lugar dele e isso é seguido pela grande maioria dos muçulmanos.
O islamismo é a segunda maior religião da França ficando atrás somente do catolicismo. São seis milhões e meio de fiéis que correspondem a 10% da população. Apesar de ser o país com a maior comunidade muçulmana da Europa, segundo a revista Época, uma pesquisa divulgada ano passado pelo jornal Le Monde revelou que 74% dos franceses consideram o islamismo “intolerante” e “incompatível” com a cultura francesa.
Às vezes, é necessário colocar-se no lugar do próximo para compreender melhor a situação. Para entender como é ser muçulmano na França, é só pensar que o país é uma porta de entrada de muitos imigrantes vindos principalmente de países islâmicos do norte do continente, que, com pouca ou quase nenhuma oportunidade de emprego e de estudo, acabam não se integrando à sociedade francesa. E, a cada ataque terrorista, fica mais difícil para estes homens serem vistos como cidadãos franceses, e não como suspeitos.
A população que segue o islã tem, por exemplo, menos chances de encontrar um trabalho. Segundo a Folha de São Paulo, uma pesquisa da universidade Stanford, realizada em 2010, mostrou que um muçulmano de origem africana tem 2,5 vezes menos chances de ser chamado a uma entrevista de emprego que um cristão francês de mesma qualificação e origem.
Ainda segundo o jornal, outra pesquisa realizada pelo Observatório da Islamofobia mostrou que, em 2013, houve 691 atos contra muçulmanos e suas instituições na França, o que corresponde a um aumento de 47,3% em relação ao ano de 2012.
É fato que o terrorismo é imediatamente associado aos muçulmanos. Por conta disso, aumenta a pressão para que leis de imigração e censura sejam cada vez mais rígidas. Isso afeta pessoas que nada têm a ver com o extremismo. O crescimento das forças anti-Islã preocupa os muçulmanos da França.
As palavras têm poder, então temos que tomar muito cuidado, quando falamos que o Islã “também tem pessoas de bem”, porque parece que a regra geral é o terrorismo, quando, na verdade, é o contrário. A regra geral é a paz, é a solidariedade, as pessoas que fazem o mal é que são exceção. Não podemos julgar um grupo por essas pessoas, nem tachar isso de terrorismo islâmico. Dessa forma, estaremos apenas criando ainda mais preconceito.


                                     (Raphael Caprile, Ciências Contábeis)

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Fora da estrada

Este post está incrível... Leitura fluida e divertida, tanto quanto necessária para a nossa reflexão. Parabéns, Victor!
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Foi ano passado, quando primeiro percebi o carro. No comercial de televisão onde o jovem adulto bem vestido, gel no cabelo, camisa engomada, sai do escritório para entrar em seu carrão rumo a um fim de semana de aventuras. Com direito a dirigir entre um estouro de boiada e levantar cortina de lama em câmera lenta para, segunda-feira, exibir orgulhosamente pela cidade seu possante com as marcas da estrada de terra. “O conforto da cidade com a liberdade off road” dizia a grave voz narrando a lúdica propaganda.
Minha colega, uma diminuta artrópode hemofágica que aluga um espaço na parte de trás de minha orelha, baixou o jornal que segurava e me fitou por cima dos óculos sem nada dizer, enquanto eu ficava impressionado pela sedutora propaganda.
– Que foi, pulga? – perguntei.
– Você cai nessa?
– Claro que não. – respondi constrangido ao perceber que caí direitinho. A pulga sabe que esse tipo de propaganda não é para pessoas como eu.
            A segunda vez que vi o gigante automotivo foi muito mais emocionante. Pudera, ele não estava atrás da frígida tela de um televisor. Estava cortando toda a humildade de minha bicicletinha para fora da pista. O largo utilitário esportivo ocupava toda a faixa direita da avenida. Não havia espaço para mais nada. Me vi obrigado a sair do asfalto e esperar uma chance de voltar a pedalar em segurança. Logo à frente, um semáforo se avermelha e segura meu algoz de 2300 cilindradas no lugar, dando-me a chance de emparelhar e mandar um singelo abraço à mãe do motorista. Antes da troca educada de elogios, porém, bati com a língua nos dentes ao perceber que o exímio piloto era meu supervisor. Estava lá se dirigindo à fábrica assim como eu. Aquele para assistir, esse para trabalhar.
            Coisa maravilhosa é o instinto de sobrevivência do ser humano, visto que, naquele momento, recolhi-me à insignificância socioeconômica do alto da bicicletinha e, com um aceno para o superior hierárquico que arrancava o veículo na abertura do semáforo, pedalei para duas faixas de distância cortando outros carros e arriscando ser atropelado. Ao chegar à fábrica, o satisfeito condutor me intercepta no corredor.
– E aí, ciclista?
– Opa, chefe, carrão, hem?
– É o SUV do ano! Quatro por quatro e tudo.
– Esportivo utilitário, né? E pra onde vai com tanta potência automotiva?
– Aqui, pro serviço, e pra casa de praia nos fins de semana.
            Na hora, pensei “Seu exibido arrogante, você mora a quinze minutos do serviço e sua casa de praia fica na cidade vizinha. São vinte quilômetros de pista perfeitamente asfaltada e sei que você mal aparece por lá duas vezes por ano.” Mas, como é incrível esse tal instinto, o que realmente saiu pela minha boca foi:
– Legal! Com licença, vou pra minha estação.
            Pula a pulga de trás de meu ouvido e pousa na mesa onde fica o computador.
– Eu sei o que você está pensando. Um carro daquele e o cara nem precisa de tudo isso.
– É, pulga. Mas é assim mesmo. Status quo. Ele é supervisor, tem de manter as aparências. Fora que esses carrões estão na moda. – rebati só para não concordar com o animal.
– Agora você falou algo certo, dá uma olhada nisso.
O pontinho preto saltitou pelo teclado do computador e abriu uma página eletrônica com um gráfico.


– Esses carros estão vendendo cada vez mais, mesmo num cenário de queda dos automotivos. – argumentou a pulga com ar professoral.
– Sim, e qual o problema? – retruquei.
– O problema é a sustentabilidade!
– Sustentabilidade? – perguntei incrédulo – Então, você está me dizendo que a venda de SUVs, de alguma forma, afeta a reciclagem do lixo?
– Sua visão de sustentabilidade é muito limitada, amigo. Pensa comigo: os carros estão cada vez maiores e, consequentemente, mais pesados. Mais peso causa maior queima de combustível. E não são apenas esses SUVs, o tamanho dos carros populares aumentou quase vinte centímetros nos últimos dez anos. Parece pouco, eu sei, mas multiplique esses vinte centímetros pela quantidade de carros nas pistas. Imagine a falta que faz esse espaço na hora de estacionar. Você tem notado os congestionamentos cada vez maiores. O espaço nas ruas não está ficando maior, e os carros estão fazendo o inverso do ideal, que seria adaptar o tamanho dos carros para uma área urbana saturada de veículos. Vias públicas são recursos limitados e gerenciar esses recursos também faz parte da sustentabilidade.
– Eu não tinha pensado por esse lado.
– Claro que não. Você lembra dos Smart Cars? Em 2005, quando o tratado de Quioto entrou em vigor propondo, entre outras medidas sustentáveis, a eficiência energética e a reforma no setor de transportes, esses carros supertecnológicos, econômicos e minúsculos foram apresentados como a solução derradeira para a mobilidade urbana. Chegou a ter certa atenção da mídia, mas logo foi engolido pela poderosa indústria automobilística. Pior, numa mostra cruel de sua força, manobrou a tendência do setor para que do fracasso dos carros sustentáveis emergissem os potentes utilitários esportivos. Estes são a antítese dos carros sustentáveis, apesar das propagandas apelarem com frases como “o mais econômico da categoria”, “linha eco” e “total flex”.
– Mas não podemos fazer nada a respeito. Estamos cada vez mais off road sem sair da cidade.
– Você talvez não. Mas nós, pulgas, temos o dever de espalhar, de orelha em orelha, essa coceirinha que deixa as pessoas inquietas... 


Para saber mais:

http://g1.globo.com/carros/noticia/2015/04/6-novos-suvs-em-1-mes-veja-tudo-deles-e-como-os-rivais-se-mexeram.html (notar no fim da matéria as medidas dos carros, chegando a ser quase 20% maior em comprimento e largura dos carros populares)

                                                 (Victor Pedroso de Macedo, Ciências Contábeis)

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

A involução humana

Mais um texto corajoso, que denuncia algo muito sério que vem acontecendo com a humanidade... Ficaremos de braços cruzados diante disso? 
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Hamlet disse: “Há algo de podre na Dinamarca”! Se Shakespeare estivesse vivo hoje, provavelmente ampliaria seu campo de atuação e Hamlet diria: “Há algo de podre na humanidade”!
 Uma menina, criança, 12 anos, participante de um programa de televisão com outras crianças, foi alvo de comentários pedófilos e covardes. Sim, porque chamar a mim, mulher adulta, de vagabunda, na minha cara, não fariam, pois sabiam que, no mínimo, levariam um tapa! Agora, escondido atrás de seu monitor, se referir a uma menina de 12 anos dessa maneira, uma menina que não estava se insinuando, que não estava usando roupas provocativas, estava apenas “brincando de cozinha” em rede nacional, é, além de podre, nojento, doentio, covarde!
 Há, sim, algo de podre na Dinamarca. Mas há também na Alemanha, onde o Conselho de ética quer legalizar sexo entre pais e filhos e entre irmãos. Há algo de podre no Brasil, onde uma garota é publicamente destruída porque, no calor de um jogo de futebol, xingou o goleiro do outro time, que era negro, de macaco, mas deixa impune quem se refere a uma criança de 12 anos como vagabunda, e atribui a culpa da pedofilia a “essa molecada gostosa”, como disseram em um dos comentários.
Por favor, não estou dizendo que a garota gaúcha não deveria ser punida pelo seu ato de racismo. Talvez porque eu tenho uma filha da mesma faixa etária, ou talvez simplesmente por que eu penso assim, para mim, qualquer agressão a uma criança é muito pior, seja ela física ou verbal, e deve ser punida de forma exemplar.
 Sim, há algo de podre no Brasil, e não está na Dilma, no PT, nem no Alckmin ou no PSDB. Está em cada um de nós, que permitimos que casos como esses se esfriem e não tomem a dimensão que merecem. Que, por preguiça ou por inércia, não nos indignamos com uma coisa dessas e demandamos punições.
 Há algo de podre na humanidade! Mas como não há um Ctrl + Alt + Del, temos que seguir em frente, acreditando que a humanidade está em evolução!
                                                                       (Iara Milito, ADM, diurno) 



quarta-feira, 14 de outubro de 2015

A rede (anti) social

Neste post, a aluna Mayara convida-nos a refletir sobre o uso nada saudável das redes sociais... Você já parou para pensar nisso? 
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Você já parou para pensar quantas vezes olhou o seu Facebook hoje? E quanto tempo você perdeu no Whatsapp podendo estar na companhia de seus amigos? Hoje em dia, em qualquer lugar a que a gente vá, veremos pelo menos uma pessoa mexendo no seu celular. Será que isso é saudável?
Por curiosidade, resolvi fazer uma pesquisa informal entre meus amigos e perguntar sobre o dia a dia deles e o quanto eles são dependentes do celular. Em algum dos casos, fiquei sabendo que, até mesmo dentro casa, eles conversam entre eles por alguma das redes sociais. Ninguém mais senta na sala em um dia aleatório para bater um papo e contar as novidades, mesmo juntos cada um está vidrado no seu celular sem dizer uma palavra sequer. Nos relacionamentos amorosos, os jovens têm a necessidade de fazer diversas declarações um ao outro pelas redes sociais, mas será que quando se encontram, eles dizem um “eu te amo’’ ao outro? A necessidade de postar alguma coisa para se mostrar ao outro, hoje é mais importante do que o próprio sentimento. Quantos relacionamentos são apenas de Facebook? Uma “falsa felicidade’’ que é transmitida ali, mas que, na realidade, não é nada daquilo.
Uns só falam de futebol, outros sobre o quanto sua religião é a mais correta de todas, a outra só coloca frases de tristeza devido ao fim do seu relacionamento e outros que se dizem os juízes e sabichões, com base em comentários aleatórios que veem na internet, já saem dizendo o que é certo ou errado sem ao menos se aprofundar no assunto. Sem contar as fotos de gente seminuas postadas em busca de algumas curtidas.
O que seria um instrumento para acharmos um colega da escola, para falarmos com um parente distante, de pesquisa, hoje se torna o mal do século. São torcidas organizadas que marcam encontro umas com as outras para brigar; jovens que agendam os famosos “rolezinhos’’ para tumultuar em shoppings; pessoas que compartilham informações erradas causando confusões e até mortes entre tantas outras coisas. As pessoas precisam ter consciência de que uma informação errada, uma vez transmitida, pode causar um estrago enorme. Portanto, devem ter cuidado com as coisas que compartilham. Viu alguma matéria? Pesquise sobre o assunto, vá atrás para saber se realmente é aquilo antes de compartilhar, de julgar.
           Diante dessa realidade, a internet pode afetar a vida das pessoas e dos relacionamentos se não houver controle entre as atividades do dia a dia e os momentos conectados. É necessário que a gente estabeleça horários para seus acessos, crie uma rotina saudável, realizando outras atividades prazerosas e aproveite os momentos perto das pessoas de que a gente gosta, pois são únicos. Além disso, precisamos ter a consciência de que somos responsáveis por tudo aquilo que nós compartilhamos ou postamos em nossas redes sociais já que podemos influenciar pessoas mesmo que não queiramos.
            E você, faz o uso correto da rede social?
Fonte:https://aoquadrado.catracalivre.com.br/impacto/fotografo-apaga-smartphones-de-imagens-para-mostrar-como-a-hiper-conectividade-nos-tornou-solitarios/ 

                                                    (Mayara Moraes, ADM noturno)

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Eu e a crise hídrica

Vale muito a pena ler (e refletir) sobre esta crônica do Alex - aluno de Contábeis - a respeito da conscientização do uso racional da água.
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Sou uma pessoa meio neurótica, que isso seja de conhecimento geral, e saibam que fico especialmente mais neurótico com catástrofes naturais - tsunami, terremoto, vulcões em erupção e afins -, morro de medo só de pensar nessas coisas.
Depois de mais de um ano vendo, nos noticiários, matérias sobre a escassez de água em nosso planeta, e principalmente na Grande São Paulo, finalmente a “Crise Hídrica em São Paulo é reconhecida pelo Governo”, aterrorizante, não? Temos ouvidos essas notícias praticamente todo dia e as pessoas parecem não dar conta da gravidade das coisas. Sinto-me afligido por isso de tal maneira que comecei a ficar meio neurótico com o assunto, afinal, a falta de chuva também é uma catástrofe natural, certo?
Dentro de minha preocupação, talvez nem tanto neurótica se avaliarmos a gravidade da situação, tenho feito algumas pesquisas na internet e descobri coisas alarmantes. Pensemos no seguinte: imagine que toda a água do mundo coubesse dentro de uma garrafa de 2 litros; imaginou? Agora, sabe quanto disso seria água doce e potável? Apenas uma gotinha... Isso mesmo, uma mísera gotinha. Agora, com isso na cabeça e levando em consideração a situação hídrica em que vivemos, digam que eu não estou com a razão com relação ao que me aconteceu recentemente.
Eu faço sempre o mesmo caminho para ir trabalhar e, todo dia, vejo uma senhora lavando a calçada, não bem lavando, e sim varrendo a calçada com a água da mangueira. Ela faz isso todo santo dia, e cada dia que eu passava por lá, aquilo ia me dando uma raiva até que um dia não consegui me controlar, olhei para ela e disse o seguinte:
"Calçada não sente sede não, minha senhora, então, se limpa com balde e vassoura, não com a mangueira!" Me senti o máximo!
A mulher ficou muito doida, e se encheu de razão para me mandar para aquele lugar. Eu fiquei consternado com tal resposta, parei, olhei para cara dela e disse "Nossa, além de tudo é malcriada. Aproveita e lava a boca também!", virei e continuei o meu caminho, ela resmungou algo, provavelmente me xingou, mas não consegui entender o que ela disse.
Agora, toda vez que vou trabalhar, ela fica esperando me ver para ligar a mangueira e começar a lavar a calçada, faz cara de deboche e fica me encarando. Dia desses, para me irritar, ela pegou a mangueira e começou a fazer chuvinha com água no meio da rua. Eu fiquei com uma raiva tão grande, mas só olhei para ela e balancei a cabeça como forma de reprovação, joguei um olhar diminutivo para ela e segui em frente.
Na semana retrasada, quando passei, ficamos nos encarando enquanto ela jorrava toda a água de sua mangueira na calçada, foi quando ela, num ato completamente infantil, fez uma careta e me mostrou a língua. Achei aquilo um absurdo e, num reflexo instantâneo, e patético devo admitir, devolvi a língua pra fora e continuei meu caminho. Logo depois que fiz isso, senti um pouco de vergonha de mim mesmo, mas logo esse sentimento virou raiva. Percebi que aquilo havia deixado de ser apenas uma discordância do uso correto dos recursos naturais do planeta e tinha virado guerra!             
         Não consegui parar de pensar nessa pessoa o dia inteiro, eu tinha que arranjar uma maneira de me fazer ouvir, foi quando tive uma ideia maravilhosa, escrever uma carta para a patroa dela, sei que ela trabalha lá, pois, uma vez quando ia para casa no meu horário de almoço, a vi conversando com a tal patroa no portão da residência, que pedia para esbanjadora ir mais cedo trabalhar no dia seguinte. Escrevi a tal carta como se fosse uma mulher, na tentativa de criar uma empatia com a dona da casa, e coloquei na caixa de correio da casa. Eis uma cópia da carta:


Coloquei essa carta na caixa de correio da tal casa numa sexta-feira e, durante o final de semana, esqueci esse episódio. Quando, na segunda-feira, fui trabalhar pelo mesmo caminho de todo santo dia, e me deparei com a minha arqui-inimiga, com os seus dois novos amigos de trabalho, a vassoura e o balde, não acreditei e pensei "eu ganhei?"
Passei por ela com ar de vencedor e eu não podia deixar aquilo passar batido e, do outro lado da rua, acenei para ela com o mesmo ar debochado dela e, em alto e bom som, disse "Bom dia, colega, cadê a sua amiga, a mangueira?"
Ela rapidamente olhou para mim e disse que estava em um certo orifício que se localiza no corpo da minha mãe, enquanto enfiava a vassoura dentro do balde e esfregava a calçada.
"Antes lá, do que na sua mão, né? Bom dia pra você e fala para a dona da casa que eu senti firmeza nela, tá? Não achei que a carta fosse funcionar, ainda mais tão rápido!"
            "Então foi você, né?!
"Não fica brava, não é nada pessoal, é só uma questão de princípios. E uma dica, na sua casa, vê se usa o balde também, tá? Tchau!". Ela continuou lavando a calçada enquanto falava algo que eu não entendi porque já estava meio distante.
Fiquei muito orgulhoso por conseguir fazer duas coisas importantes, a primeira foi informar duas pessoas sobre o consumo consciente de água e a outra foi ganhar uma “queda de braço”. O que mais eu posso pedir?
Agora, não esperem que eu mande uma carta para obrigar alguém a ser responsável com nossos recursos. Ao invés disso, visitem o site do Instituto Akatu e se informem sobre o que vocês podem mudar no seu dia a dia para ajudar o nosso planeta.

(Alex Félix, Ciências Contábeis )


terça-feira, 18 de agosto de 2015

Recado da dúvida

Neste post de estreia do 2º semestre, temos um poema em forma de rondel e que nos leva a refletir sobre a comunicação... E este texto é de um aluno da turma de Contábeis... Pois é, quem disse que os números não podem ser amigos das letras? ;) Parabéns, Victor !
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Favor anote o recado,
E passe adiante por mim.
Eu que entendi tudo errado?
Será que Deus quis assim?

Qual o tamanho do estrago
De ouvir “não”, se entender “sim”?
Favor anote o recado,
E passe adiante por mim.

Eu tenho me perguntado:
Quando a vida chega ao fim
Será que era tudo armado
E vou ouvir soar o plim-plim?
Favor anote o recado.
Traduzido de http://www.underwhelmedcomic.com/2009/06/22/todays-comic-message-in-a-bottle/

(Victor Pedroso de Macedo, Ciências Contábeis)